217 – DIÁLOGOS – III
– Querido amigo, por favor, esclareça-me a respeito do caminho da sabedoria. Estou confuso com tantas opiniões diferentes. Um sábio de Atenas ensinou-me Filosofia e iniciou-me nas artes espirituais. Mostrou-me o valor das coisas simples da vida. Ensinou-me a apreciar a beleza das flores, o canto dos pássaros, o sorriso das pessoas, os sentimentos da música e o estudo inteligente das capacidades humanas. Fez-me ver a importância de viver e lutar pelos bons princípios. Aprendi com ele o valor da ação positiva, a participação sadia nas questões humanas e espirituais. Porém, conheci um andarilho místico, pessoa de grande encanto e cordialidade, com quem estudei durante algum tempo. Ensinou-me que toda ação é transitória, pois tudo segue o curso da evolução naturalmente. Explicou-me que as ações externas não são muito importantes. Disse-me que a viagem pelo interior de nós mesmos é a mais importante. Aprendi com ele que tudo é relativo e que nossas ações podem ser fruto de nossas ilusões sensoriais.
Caro Sócrates, um mestre estimulou-me a agir no mundo e o outro a desligar-me das coisas externas e seguir um caminho puramente espiritual. Qual dos dois tem razão? Qual é o melhor caminho, o externo ou o interno?
Sócrates encostou suavemente a flor em seu peito e fechou os olhos. De alguma maneira por ele conhecida, fez um acoplamento áurico de seu chacra cardíaco com a aura da flor. Ficou em sintonia com ela por vários minutos.
Enquanto isso, Fédon e Apolodoro observavam o desenrolar daquela cena inesquecível: o maior sábio da Grécia consultando uma flor.
Quando Sócrates abriu os olhos havia um brilho maravilhoso em seu semblante. Sentou no chão e começou a rir novamente. Chamou os dois discípulos para sentar com ele e disse-lhes: – Essa flor tem mais sabedoria do que todos os livros de Filosofia do mundo. Disse-me que o sol brilha tanto porque tem uma luz invisível inspirando-o dentro de seu núcleo. Contou-me que cada elemento da natureza lhe serve de referência em seu aprendizado. Aprendeu com a terra, a firmeza; com a luz da lua, a suavidade; com a chuva, a adaptabilidade ao meio; com o céu, a amplitude dos horizontes. Dentro de si mesma aprendeu a meditar, ponderar e fluir com os ciclos da natureza. Dentro de seu equilíbrio interno, seguiu o fluxo de sua própria natureza e desabrochou para o mundo sua beleza, sua cor e seu perfume. Não seguiu caminho algum, de dentro ou de fora. Apenas expandiu-se em sua própria essência. Ela apenas vive e cumpre sua missão na vida: “ser uma maravilha da natureza e foco de inspiração de sábios, místicos, poetas, músicos, artistas e pessoas de coração aberto.”
Meus caros Fédon e Apolodoro, o caminho da sabedoria é o caminho da flor. É apenas SER! A luz invisível que ensinou essa flor é a mesma que está dentro e fora de nós. Se viajarmos para dentro encontraremos essa luz em nosso coração. Se viajarmos para fora a encontraremos nos outros corações e no coração da própria vida. Foi isso que a flor me disse: “a luz divina está em tudo!” Caminhos de dentro ou de fora, são apenas caminhos da luz. Alegrem-se, a sabedoria é um caminho sem fronteiras! Vivam, meus amigos, e prestem mais atenção nas flores. Cada uma delas tem beleza, cor, perfume e sabedoria.
– Wagner D. Borges –
São Paulo, 04/10/98.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
– Os livros “Viagem Espiritual Vols. I e III” estão esgotados no momento. Estamos produzindo a 5a edição do “Viagem Espiritual I” (revisão geral e nova diagramação) e a 2a edição do “Viagem Espiritual III”.
– Dentro em breve, estaremos lançando mais um livro, dessa vez ilustrado pelo artista Cláudio Gianfardoni.
– Em alguns dias, estaremos colocando novas fitas na seção de áudio.
Paz e luz a todos vocês!
– Wagner D. Borges –
São Paulo, 12 de maio de 2000.
*O texto “Diálogos III” foi editado como prefácio do livro “Tocar o Cosmo Interior”, de Jeane Braidy e Marlon Moraes (edição pessoal dos autores).
Texto <58><12/10/1998>
Texto <217><13/05/2000>
