532 – O MAIOR ESPETÁCULO DA VIDA
A história da maioria dessas pessoas não são contadas em evangelhos nem exaltadas em poemas ou cantigas de ninar.
São como cometas que cruzam os nossos céus todas as noites, e a gente pensa que é estrela cadente ou que foi uma luzinha de avião que passou.
De peça em peça, cada um inserido em seus papéis, eles vivem dramas como os nossos, sofrem como sofremos, e se desesperam como nos desesperamos, mas lá no fundo eles estão cientes que tudo não passa de uma brincadeira de encenar, onde os atores precisam encarnar o personagem com veracidade e viver intensamente suas experiências, afinal, apesar da peça ser passageira, a experiência é eterna.
Para esses espíritos que reconhecem quem realmente somos, chamar o outro de irmão não tem conotação religiosa alguma, e sim certeza de que todos nós fazemos parte da mesma família de atores saltimbancos, num grande espetáculo.
Esses espíritos sabem que o amor e dedicação que recebem do Grande Diretor é tão imenso, que, naturalmente esse amor transborda de seus peitos em ondas douradas no silêncio do auxílio a todos, profissionais ou amadores, sem julgamento ou pensamento de esperar algo em troca.
Escondidos atrás de seus papéis e máscaras, essas almas boas amam em silêncio, transformando a ignorância que emanamos para o ar em gotas de compaixão e discernimento, que caem sob nossas próprias cabeças, e quem não tiver medo de se molhar, vai acabar entendendo que tudo tem sua razão de ser, e esse roteiro, que, por vezes, nos faz chorar e sofrer, pode-se transformar numa grande aventura no próximo ato, e não precisamos esperar a cortina
abaixar para cair na risada e na alegria de quem fez o melhor que pôde com o papel que desempenhou.
Esses atores mais velhos não nos roubam a cena, pelo contrário, eles cedem o lugar para que a gente possa estrelar, e viram coadjuvantes do nosso crescimento, muitas vezes em papéis que parecem pequenos, mas são essenciais para a trama que estamos a desempenhar.
Se algum dia você esbarrar nesses palcos da vida com um desses talentosos atores encenando o papel de um Luiz, Maria, Jesus, Zé ou Buda, repare que eles escolheram papéis que justamente lembram a quem assiste, ou a quem está do lado, que todos nós temos um grande potencial para nos tornamos estrelas, e que eles por livre e espontâneo amor pela arte e por quem atua, continuam a trabalhar nos bastidores do maior espetáculo da vida: a experiência!
– Frank –
Londres, 26 de Março de 2004.
Texto <532><30/06/2004>
