640 – A PRIMEIRA VEZ
Para alguns é uma questão de fé, para outros é uma questão de sentir.
Fui criado sob a bandeira da fé; daí foi um passo bem natural cair de cabeça na crença dos outros, nos escritos, no disse-me-disse, na opinião alheia sobre o mundo espiritual; até o dia em que neguei tudo o que aprendi, e bastou colocar o “tico e teco” (como chamo os meus dois neurônios, que só pegam no tranco) para funcionar.
papai ignoravam. Havia indagações que mesmo quem encontrar as respostas não era capaz de explicar, de descrever, ou compartilhar.
Havia a verdade a ser descoberta bem pertinho, alem do véu de Isis, e eu só precisava ter a coragem de dar o primeiro passo em sua direção.
E fui em frente… Toquei as estrelas e senti que a vida pulsava até nas lavas de um vulcão.
Voei pelo céu de São Paulo sem avião, sem helicóptero, e voltei para o corpo físico para contar a história, ou pelo menos tentar explicar algo que nem eu acreditava ser possível.
Era difícil explicar, descrever, explanar, colocar em letrinhas o que havia sentido. Só sabia que tinha sido real, não fora ilusão, falta de oxigenação no cérebro, hipnose coletiva, uso de maconha ou de chás alucinógenos. Contudo, como explicar a todos o gosto do céu e como era lindo o azul do lado de lá? Bem que tentei, mas só podia realmente fazer a todos o mesmo convite que me fizeram:
“Quer saber como é, corre, voa e vai provar por si mesmo!”
Depois daquela experiência, parei de ter fé e passei a ter certeza; a mesma certeza de quem ama sua mãe, sua esposa, mas sabe que mil presentes e cartões não conseguem expressar esse amor.
Hoje, lendo tantos relatos projetivos, vejo letrinhas nervosas formularem palavras que tentam explicar o inexplicável, descrever o que é indescritível, e lembro-me de que faz cinco anos desde a primeira vez em que voei para fora do meu corpo físico, e percebo que não sou o único louco tentando expressar a sua loucura de trocar a fé pela certeza, trocar o verbo dependente “acreditar”, pelo verbo experiência “sentir”.
São Paulo, 10 de setembro 2005.
(Aniversário de cinco anos da minha primeira Projeção Astral).
Texto <640><23/09/2005>
