831 – NA PRESENÇA DO ETERNO
– Por Tchan Khan Pa* –
Morre e vive Naquilo!
Confia!
Possa a tua alma brilhar com a infinita luz e suprema paz.
Ó, imortalidade suprema, em ti sempre morei!
Tua alegria enche aquilo que resta da minh’alma,
Incendeia aquilo que resta no meu coração
E em mim encorpa a felicidade de um relâmpago eterno.
Ó, vida imensa e infinita!
Esplendor eterno e radiante!
O meu único lar…
Eu sou a divindade das coisas!
Sob esse espesso manto de matéria,
Sou a chama silenciosa e anônima,
Que de todos é desconhecida
E que brilha no coração das trevas externas!
No perpétuo ressurgir da minha infinita visão
Não mais existem véus, nem trevas, nem luz.
Ó, inominável infinito! O Eterno que não tem qualquer atributo
É a minha única morada, o meu único Estado Natural.
É nessa unidade que vejo uma infinidade de seres e coisas,
Dissolvidos numa essência igual à pura água,
Que da pura água surgem.
Na plenitude transluminosa de uma infinita realidade
Para sempre sou transfigurado,
Assim como a todas as coisas transfiguro,
Em virtude do eterno relâmpago que sou.
Eu sou… Para sempre sou…
Aquilo que era… Aquilo que é… Aquilo que será…
Eu sou… Para sempre sou…
A bênção infinita dos eternos ritmos.
O universo acalenta e acelera os corações de todas as coisas…
Eu sou… Para sempre sou…
No meu refúgio último, que é, também,
O refúgio de todas as coisas.
Alegria! Harmonia!
O êxtase do mundo!
– Nota:
* Tchan Khan Pa – antigo poeta budista tibetano.
Texto <831><21/02/2008>
