Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas

922 – TEXTOS DO JARDIM ESPIRITUAL DE TAGORE

(Postado Originalmente na Lista Interna do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB)

Olá, pessoal.
Ainda agora, separei alguns textos para enviar para uma pessoa que me pediu material espiritual que falasse do grande poeta hindu Rabindranth Tagore. Então, escolhi alguns escritos – feitos entre os anos de 1998 e 2003 -, e dei uma atualizada e editada nos mesmos. E também estou postando-os aqui para vocês.
Vocês sabem da admiração que tenho por ele e que o vi, por várias vezes, ao longo dos anos. Por isso tenho vários textos dele, passados por via extrafísica.

Leiam esses escritos com calma, pois há vários toques legais inseridos nas entrelinhas. Oxalá, eles inspirem coisas boas em seus corações, assim como inspiram no meu também.
O mundo continua girando vertiginosamente pelo turbilhão estelar, e muitas coisas acontecem com a humanidade que vive nele; algumas são legais; outras, não.
Cabe a nós, que estudamos temas conscienciais, mesmo às voltas com diversos problemas e dificuldades, sintonizarmos os nossos corações naquilo que é da Luz.
E, enquanto escrevo aqui, lembro-me de Krishna e penso no bem de todos.
Lembro-me da promessa dele ao seu discípulo-arqueiro Arjuna Narananda, de que sempre protegeria os trabalhadores espirituais e seus darmas*. E que, mesmo em momentos de provas acerbas, Ele estaria dentro do coração dos seus filhos de luta luminosa, inspirando-os nas jornadas, humanas e espirituais.
Aqui e agora, na firmeza do coração, em nome de todos nós, eu agradeço ao Senhor dos olhos de lótus, por tudo.
Todos nós temos qualidades e defeitos, e estamos lutando por climas melhores, dentro e fora de nós, na medida do possível, cada um em sua área de atuação no mundo.
E, mesmo com dificuldades e, às vezes, falhando, nós somos da Luz.
Que jamais nos esqueçamos disso! Que nós não permitamos que nada nem ninguém, possa roubar nossos ideais!
Sim, nós somos da Luz! E não vamos fazer por menos: vamos melhorar, e muito… Por obra e graça do Eterno, que está em nossos corações.
Nos momentos difíceis, lembrem-se de Krishna. Ele é o cara!
E boa leitura dos textos de Tagore.

Om Maharaja!**

Paz e Luz.

– Wagner Borges – seu colega de evolução, que, só de pensar em Krishna, já sabe que alguma coisa boa e invisível está em movimento…

São Paulo, 09 de março de 2009.

-Notas:
* Darma – do sânscrito “Dharma” – dever, missão, programação existencial, mérito, bênção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.
** Om Maharaja – do sânscrito – Om é “o Verbo Divino”; “o Som divino”; “a Vibração interdimensional”. / Maha – “Grande”; “Incomensurável”. / RAJA – “Rei”; “Real”. Logo, o mantra significa “Grande Rei”. Refere-se a Krishna, o Grande Rei dos corações; o Grande Rei de amor-luz; o Grande Rei que é o verdadeiro Senhor da alegria divina que mora nos corações. Para melhor entendimento, é como um cristão referindo-se a Jesus como o Grande Rei do amor. E, diga-se de passagem, feliz é o coração que tem como rei alguém como Jesus, Krishna, Buda ou alguma das consciências elevadas que ajudam a humanidade.
Para mais detalhes sobre a aplicação prática desse excelente mantra de Krishna, favor acessar o texto “Om Maharaja – O Grande Rei do Coração”, postado no site do IPPB – www.ippb.org.br, no seguinte endereço específico: https://novo.ippb.org.br/joomla310/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5105.

LÓTUS DE KRISHNA

Rondante sutil,
Chegaste atrasado ao lótus do meu coração.
O menino Krishna já o levou!

Agora, ele mora além dos meus sonhos,
No azul dos olhos do Senhor.

Se quiseres ir até ele,
É só subir pelo raio de Sol,
Na trilha dos sentimentos sublimes.
Ou então, é só ir pelo som da flauta celestial.

Rondante sutil,
Krishna te precedeu!
Meu coração é d’Ele.

Só resta a ti viajar pelo raio de luz.
Porém, cuidado!
A flauta do Senhor vai roubar teu coração
E tu também morarás no azul dos olhos de Krishna.

“O lótus do coração se abriu e, dentro dele, está o Senhor sorrindo.”

– Rabindranath Tagore –
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 09 de setembro de 1998).

Nota:
* Rabindranath Tagore – escritor indiano, nasceu em Calcutá em 1861 e desencarnou em Bengala em 1941. Depois de educação tradicional na Índia, completou a formação na Inglaterra entre os anos de 1878 e 1880. Começou sua carreira poética com volumes de versos em língua bengali. Em 1913, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Desde então, traduziu seus livros para o inglês, a fim de lhes garantir maior difusão. Em suas poesias, Tagore oferece ao mundo uma mensagem humanitária e universalista. Seu mais famoso volume de poesias é Gitânjali (Oferenda poética).
Fundou, em 1901, uma escola de filosofia em Santiniketan, que, em 1921, foi transformada em universidade.

CONVITE DO CORAÇÃO

Disse o coração à mente atormentada:
“Querida, por que reclamas tanto?
Qual é o motivo de tanta gritaria?
Acaso achas que o Senhor do Universo é surdo?
Pára teus lamentos e vem mergulhar nas ternas águas das praias do amor.
Vem banhar-te nas águas da compaixão que tudo cura.
Eu te acalentarei em um abraço multidimensional.
Estaremos juntos na aventura de servirmos à luz.
Viajaremos pelos lótus de Brahman* em uma canção de amor.
Irmã, Jesus, Buda, Krishna e Kuan-Yin perguntaram por ti ainda há pouco.
Não queres vir ter com eles?
Acalma teus pensamentos agitados.
Nada é teu, ou meu.
Que tal te juntares a mim nessas praias da consecução divina?
Não queres assistir comigo o despontar do sol do samadhi nos horizontes de nossas aspirações espirituais?
A vida não é um ringue! Não estás aqui para vencer ou perder.
Estás aqui nas lides da vida para aprender.
Pára de guerrear pelas ilusões do ego e vem comigo. É uma oportunidade maravilhosa!
Jesus, Buda, Krishna e Kwan-Yin estão banhando-se agora nas águas da compaixão. Eles estão te esperando. Vem!”

* * *

Certa vez, o Senhor disse a Hamsa**:
“Vá a Terra e relembre aos homens que sem amor ninguém segue…
Nade nos lagos de seus corações e convide-os aos bons propósitos.
Leve-os a nadar com você pelas águas da compaixão e mostre-lhes a luz da sabedoria. Guie-os para os caminhos auspiciosos.
Se eles não lhe ouvirem, balance suas asas e crie ondulações que despertem neles o movimento criativo.
Vá, meu amigo. Nade bem e eleve seus espíritos a Mim!”
Desde então, o tigre do ego, que mora no coração dos homens, vem sendo incomodado pelo bater das asas de Hamsa.
Ele continua nadando e dizendo aos homens o recado de Senhor:
“Sem amor, ninguém segue…”

– Um amigo de Tagore*** –
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 25 de novembro de 1998).

Notas:
* Brahman – do sânscrito – Deus; O Todo; O Absoluto; Grande Arquiteto do Universo.
** Hamsa – do sânscrito – cisne divino; yana (veículo de Brahma); ave divina.
*** Rabindranath Tagore: célebre poeta hindu da primeira metade deste século.

BRILHO-OM II

Por quem os teus sinos dobram?
Pelo corpo que voltou ao seio da Terra?
Ou pelo espírito que ascendeu à Luz?

Companheiro de alameda espiritual,
Há muitas jóias em ti;
Oferece-as ao teu Senhor!

Ergue os olhos e vê a imensidão de Brahman
No brilho desses olhos.

Os lótus estão florescendo.
Sob a luz do sol ou no suave esplendor da lua,
Oferece o brilho ao teu Senhor!

Viaja no infinito do amor…
O espírito ascendeu…
E os lótus são tão lindos.
Oh, que beleza sem par!

Onde o tolo vê uma flor, o Ser desperto vê a beleza de Brahman.
Onde o néscio toca os sinos de sua ignorância,
O desperto vê a luz ascendendo à divina morada,
Nos jardins do Supremo.

Amigo jornadeador,
Oferece o brilho ao teu Senhor!

Permite a expansão do amor em teus lótus.
Nos jardins do teu coração,
Oferece o brilho ao teu Senhor!

Se teus sinos não tocam mais,
Mas teus lótus estão perfumados,
Fica contente.

O brilho das estrelas e dos teus olhos,
São brilhos de Brahman!

Sejas feliz!

– Rabindranath Tagore –
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 03 de junho de 1999).

PENSAMENTOS E SENTIMENTOS QUE VOAM NA NOITE…

Amigo, no seio da noite escutei tua canção.
Lembrei-me de ti, e o meu coração sorriu.
Senti tua presença, mesmo sem te ver.

Inspirado, pensei em escrever um poema,
Mas não possuo a tua habilidade de escrever.
Nem tenho o teu talento de tecer as palavras,
Com aquelas harmonias das esferas astrais.

Então, fechei os olhos, e uma estrela surgiu,
À minha frente, na tela mental.
Em seu brilho, veio uma inspiração,
Que, no meio da luz, disse-me:

“Tu és o que és!
Pedacinho estelar na carne,
Estrelinha aprendendo no mundo.
O divino feito homem,
O homem feito espírito.

Jamais esqueças que és um espírito.
A glória das estrelas brilha em tua fronte.
O brilho de bilhões de sóis não é páreo
Para o brilho de teu corpo glorioso!

Tu sentes saudades da imensidão sideral,
Mas o Eterno te colocou na Terra por um tempo.
Aceite isso, com sabedoria, mas, quando possível,
Não deixe de voar…

A liberdade virá com o teu labor bem feito.
Para quem trabalha, um sonho de liberdade
Não é uma quimera, é efeito da causa justa.
Estude e trabalhe… Não deixe de voar…

O teu caminho não é só teu,
Pois muitos melhoram com a tua melhoria.
A tua vida não é só tua, pois o Eterno
Vive contigo na morada do coração.

Mesmo os teus sonhos são compartilhados…
Por aqueles que sonham com a mesma liberdade.
Por aqueles que buscam o mesmo que tu,
E que também sentem saudades, sem saber por quê.

Há laços invisíveis que ligam os espíritos,
Mesmo em orbes distantes.
Há amores que se reencontram, algures…
Mesmo enquanto os corpos dormem.

Há pensamentos e sentimentos que voam na noite,
Ao encontro de seus pares…
Enquanto os corpos descansam,
As estrelas se encontram e se encantam.

Mesmo na Terra, é possível voar espiritualmente.
O sono é o recreio da estrela-espírito.

Mesmo a reencarnação não consegue segurar
A estrelinha em tempo integral na carne.
Quando o sono afrouxa os liames carnais,
Lá vai ela, novamente, ao encontro de seus pares.

Na abóbada sideral, as estrelas se beijam.
Algumas delas estão projetadas lá temporariamente,
Pela ação do irmão sono.
Outras são estrelas livres, à espera de suas irmãs.

Então, quando a saudade apertar, lembra-te:
Tu és um espírito! Tu és uma estrela! Tu és o Eterno na carne!

Tuas irmãs livres jamais te esqueceram.
E, quando o teu corpo dorme, elas vêm!
E te levam junto para a abóbada sideral.

Tu estás na Terra, nesse momento,
Porque é preciso em teus estudos e experiências.
É o teu lugar, por enquanto.

Mas, não deixes de voar…
As estrelas livres, tuas irmãzinhas celestes,
Estão te esperando com saudades também.”

Pois esse foi o recado da estrela, meu amigo.
Gostaria de ter feito um poema em tua homenagem,
Mas não tenho o teu talento para isso.
Por isso a minha irmã estelar veio dar uma força.

Com ela aprendi que os pensamentos e sentimentos
Voam na noite ao encontro de seus pares.

Com essa esperança, torço para que esses escritos
Voem na noite e cheguem a teu coração.

Que, mesmo em planos distantes, nós possamos celebrar juntos
A ação daquela Mão Invisível que teceu o Grande Mistério,
E incrustou na abóbada sideral as incontáveis estrelinhas,
Nossas irmãs siderais, nossas companheiras de vôo espiritual.

Sim, meu amigo, que possamos celebrar juntos
A obra do Grande Arquiteto Do Universo,
O Grande Espírito, A Grande Estrela, O Pai-Mãe de todos,
Criador das estrelas e de todos nós.

Mesmo em planos diferentes agora,
Que os nossos pensamentos e sentimentos possam
Voar juntos na noite, ao encontro daquelas estrelas
Esquecidas de sua própria natureza sideral.

Que, de alguma maneira, nós possamos tocá-las em segredo.
Para lembrá-las de que é possível voar na noite, em espírito.

Meu amigo, não tenho aqui a poesia de que gostaria.
Só tenho esses pensamentos e sentimentos que
Voam na noite, inspirados pela estrela-guia.

Aceite-os!
Pois, se não tenho a tua habilidade em escrever,
Pelo menos ainda consigo voar…

P.S.:
Senhor, em teus pés deposito essa guirlanda de flores astrais.
Elas cresceram no jardim do meu coração.
Foram regadas pelas lágrimas da saudade estelar,
E adubadas pelo suor da sadhana*.
Foram iluminadas pelo sol e beijadas pela lua,
Em muitas existências.
E me ensinaram a grande lição:
Na casa do coração, estamos todos juntos.

SOMOS TODOS UM!

(Dedicado ao célebre poeta hindu Rabindranath Tagore**).

– Wagner Borges –
São Paulo, 18 de setembro de 2003.

– Notas:
* Sadhana – do sânscrito – disciplina espiritual.
** Enquanto escrevia, a lembrança de mais três poetas da alma me vinha à mente: Rumi, Kabir e Kalil Gibran. Que os pensamentos e sentimentos estelares voem na noite até eles também.

DOIS POEMAS DE TAGORE

Meu Rei, houve um tempo em que eu não estava pronto para Ti.
Todavia, sem que eu pedisse,
Entraste em meu coração como um desconhecido qualquer,
E marcaste os momentos fugazes da minha vida com Teu selo de eternidade.

Hoje, quando me deparo ao acaso com esses momentos
E neles vejo a Tua marca,
Percebo que eles ficaram espalhados no pó,
Misturados com a lembrança de alegrias
E tristezas dos meus dias esquecidos.

Tu não desprezavas os meus brinquedos de criança pelo chão, e os passos que eu ouvia em meu quarto de brincar
São os mesmos que agora ecoam de estrela em estrela.

* * *

No dia em que a flor de lótus desabrochou,
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia, e a flor ficou esquecida.

Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.

Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.

Eu não sabia então, que a flor estava tão perto de mim,
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura tinha desabrochado
No fundo do meu próprio coração.

– Rabindranath Tagore –
(Extraído do livro “Gitanjali” – Edições Paulinas).


Texto <922><08/04/2009>