Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas

1232 – O CREDO DA CIÊNCIA

Por Huberto Rohden* –
 
Meu caro amigo.
Recebi tuas felicitações – muito obrigado.
Atingi o “vértice da pirâmide” – dizes…
Enchi de mil conhecimentos o espírito – é verdade…
Cinge-me a fronte o laurel de doutor – sou acadêmico…
Entretanto – não me iludo…
Quase todo o humano saber – é crer…
Nossa ciência – é fé…  
Creio no testemunho dos historiadores – porque não presenciei o que referem…
Creio na palavra dos químicos e físicos – porque admito que não se tenham enganado nem me queiram enganar…
Creio na autoridade dos matemáticos e astrônomos – porque não sei medir uma só das distâncias e trajetórias siderais.
Tenho de crer em quase todas as teses e hipóteses da ciência – porque ultrapassam os horizontes da minha capacidade de compreensão.
Creio até nas coisas mais quotidianas – na matéria e na força que me circundam.
Creio em moléculas e átomos, em elétrons e prótons – que nunca vi…
Creio nas emanações do rádium e nas partículas do hélium – enigmas ultramicroscópicos.
Creio no magnetismo e na eletricidade – esses mistérios de cada dia.
Creio na gravitação dos corpos siderais – cuja natureza ignoro.
Creio no princípio vital da planta e do animal – que ninguém sabe definir.
Creio na própria alma – esse mistério dentro do Eu.
Não te admires, meu amigo, de que eu, formado em ciências naturais, creia piamente em tudo isto…
Admira-te, antes de que haja quem afirme só admitir o que compreende – depois de tantos atos de fé quotidiana.
O que me espanta é que homens que vivem de atos de crença descreiam de Deus – “por motivos científicos”.
Homem! Tu, que não compreendes o artefato – pretendes compreender o Artífice?
Que Deus seria esse que em tua inteligência coubesse?
Um mar que coubesse numa concha de molusco ainda seria mar?
Um universo encerrado num dedal – que nome mereceria?
O Infinito circunscrito pelo finito – seria Infinito?
Convence-te, ó homem, desta verdade: só há duas categorias de seres que estão dispensados de crer: os da meia-noite – e os do meio-dia…
As trevas noturnas do irracional – e a luz meridiana da Divindade…
O insciente – e o onisciente…
Aquele por incapacidade absoluta – este por absoluta perfeição…
O que oscila entre a treva total do insciente e a luz integral do onisciente – deve crer…
Deve crer, porque a fé se move nesse mundo crepuscular, equidistante do vácuo e da plenitude, da meia-noite e do meio-dia…
 
(Texto extraído do livro “De Alma Para Alma” – do genial filósofo brasileiro Huberto Rohden – Editora Martin Claret.)
 
– Nota:
* Ver a coluna dedicada a Huberto Rohden em nosso site, na seção de Multimídia – www.ippb.org.br 
 

Texto <1232><08/02/2013>