563 – VIAGEM ESPIRITUAL – UM MERGULHO NA LUZ
“Em cada noite, quando o homem adormece, a sua alma afasta-se do seu corpo físico para mergulhar de novo na Alma universal. Durante este repouso do corpo, faz-se nele todo um trabalho de limpeza, de purificação. Uma vez completado este trabalho, a alma pode retomar as suas funções e manifestar-se na matéria em toda a espécie de atividades. Este processo repete-se em cada noite e, para certas pessoas, mesmo durante o dia. Portanto, à noite, a alma abandona o corpo (mas fica ligada a ele por laços sutis chamados ‘cordão de prata’) e, quando volta, de manhã, encontra a casa varrida, limpa, lavada, e pode retomar o seu trabalho. Se a alma não deixasse o corpo, o homem morreria envenenado, asfixiado, porque não se poderia fazer este trabalho de limpeza.
A questão que agora se põe é a de saber se a alma que deixa o corpo sobe sempre para se reunir à Alma universal, ou se fica somente a flutuar nas regiões inferiores. Isso depende da pessoa, da natureza e da qualidade dos seus desejos, dos seus sentimentos e dos seus pensamentos. Mas aqui só quero referir-me aos seres animados por um grande ideal espiritual. Durante o sono, a sua alma eleva-se até a luz, mergulha nela, contempla a imensidão, viaja e comunica-se com as entidades celestes… Quando, depois, reencontra o corpo, traz a recordação do que viveu e procura imprimi-lo no cérebro. E, como todas essas impressões são impossíveis de se apagarem, mesmo que o homem não tenha consciência delas imediatamente, mais cedo ou mais tarde elas acabam por se revelar.
Eis porque pode acontecer que de repente você receba, como que deslumbrado, a comunicação de certas verdades sublimes que o seu subconsciente certamente já trazia em si desde há muito tempo. Ainda não tinha chegado o momento de você ter consciência delas, mas, num instante em que o seu cérebro se encontrava em condições propícias, de repente a luz jorrou. Evidentemente, se você estiver habituado a trabalhar para purificar o seu corpo físico e o tornar sensível, a sua alma poderá registrar muito mais facilmente as realidades do mundo sutil e transmiti-las à sua consciência. É esta a razão por que é importante dar ao corpo físico alimentos puros, ar puro, bebidas puras e até pensamentos puros, sentimentos puros e atividades puras.
A espiritualidade não consiste em não se ligar à matéria, para só se ocupar do espírito, pois, na realidade, as manifestações do espírito estão limitadas pelo grau de evolução do nosso corpo físico. O espírito tem todos os poderes, mas não pode manifestá-los enquanto os órgãos correspondentes do nosso corpo não estiverem despertos. Os alquimistas, que compreenderam esta idéia, trabalharam para transformar a matéria, para a purificar, para a sublimar. Todo esse trabalho que eles faziam sobre os metais nos cadinhos, nos alambiques, nos atanores, era simbólico. Na realidade, era um trabalho sobre o corpo físico, um trabalho por intermédio da água, do ar e do fogo, até tornar o corpo capaz de refletir e deixar passar a luz celeste e as virtudes do espírito.”
(Texto extraído do livro: “A Luz, Espírito Vivo”, de Omraam Mikhaël Aïvanhov – Edições Prosveta.)
– Nota de Wagner Borges: Omraam Mikael Aivanhov (1900-1986): Mestre espiritualista búlgaro, que morou a maior parte de sua vida na França, onde fundou a Fraternidade Branca Universal (não confundir com a Fraternidade Branca do Himalaia). É um dos mentores espirituais dos trabalhos do IPPB. Mais informações sobre o seu trabalho podem ser conseguidas em nosso site – www.ippb.org.br – Basta entrar na seção de busca por palavras do site e clicar o seu nome. Daí surgirão diversos textos dele postados em várias seções do site, e aí é só mergulhar em seus escritos e se fartar de ler textos excelentes e cheios de sabedoria espiritual e humana.
Texto <563><26/10/2004>
