1080 – TROVAS DO ALÉM
1.Adoro a Terra, entretanto,
Vale mais no meu arquivo
Ser vivo depois de morto,
Que ser morto sendo vivo.
– Martins Coelho –
2.Boneca que sempre riste
De alma gelada e insincera,
Ah, Boneca, como é triste,
A solidão que te espera!
– Vivita Cartier –
3.O mundo aplaude a coroa
A quem vence a batalha a esmo;
Mas, no Além, o vencedor
É quem venceu a si mesmo.
– Antonio Azevedo –
4.Não há júbilo, a rigor,
Que se possa comparar
Ao do amor que encontra o amor,
Depois de muito esperar.
– Maciel Monteiro –
5.Há muita paixão que arrasa,
Qual fogueira bela e vã.
Hoje, brilho, chama e brasa;
E muita cinza amanhã.
– Marcelo Gama –
6.Rio morto, árvore peca,
De tudo vi no sertão.
No entanto, pior é a seca
Que lavra no coração.
– Virgílio Brandão –
7.Depois da morte é que a gente
Tem o amor que nos aperfeiçoa,
Amando quem nos esquece,
Nos braços de outra pessoa.
– Jovino Guedes –
8.Ateu, enfermo que sonha
Na ilusão em que persiste…
Um filho que tem vergonha
De dizer que o Pai existe.
– Alberto Ferreira –
9.Amor… Uma frase apenas…
Olhar terno que se afasta…
Um bilhetinho… Uma flor…
Para quem ama isso basta.
– Teotônio Freire –
10.Para quem serve e trabalha,
No esforço em quem se aprimora,
Calúnia não atrapalha,
Elogio não melhora.
– Lopes Filho –
11.Depois da morte é que vi
Quanto luxo, quanta guerra,
Que a vida guarda com jeito,
Em sete palmos de terra!
– José Albano –
12.Vai o berço, vem a cova:
Sai o prazer, surge a dor…
O tempo a tudo renova,
Mas amor é sempre amor…
– José Bartolota –
13.Matrimônios, se forçados –
Castelos de cinza e fumo;
Os braços entrelaçados,
Os corações noutro rumo…
– Roberto Correia –
14.No meu túmulo, reli:
“Meu amor, descansa em paz!”
No entanto, é junto de ti,
Que sempre me encontrarás.
– Lauro Pinheiro –
15.Depois da morte, a saudade
É um muro não sei de quê;
De um lado a pessoa enxerga,
Do outro ninguém vê.
– Da Costa e Silva –
16.Amor puro, além da morte,
Chama que não esmorece;
Largado, não abandona,
Esquecido, não esquece.
– Targélia Barreto –
17.Dia dos mortos? Balela!
Finados? Tontos assuntos!…
Nem flor, nem cinza, nem vela,
Nós todos estamos juntos.
– Cornélio Pires –
18.Não existe reconforto,
Que valha o ameno transporte,
De rever um amigo morto,
No instante de nossa morte…
– Colombina –
19.Assembleias, multidões!…
Não te iludas a caminho…
Na alcova do coração,
Cada um vive sozinho.
– Jônatas Batista –
20.Muitas paixões desregradas,
Que atormentam vida afora,
Começam com “não te esqueço”,
E acabam com “vai-te embora”.
– Anísio de Abreu –
21.Na Terra, amores violentos
São leiras de desenganos;
Sorrisos de alguns momentos,
Suplícios de muitos anos.
– Eugênio Savard –
22.“Que fazes de ouvidos moucos?”
– Perguntei à campa em trevas.
E ela disse: “Como, aos poucos,
O que ajuntaste e não levas.”
– Juvenal Galeno –
(Essas trovas foram extraídas do livro “Trovadores do Além” (edição da FEB), passadas mediunicamente, por vários espíritos, através dos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier, em princípios da década de 1960).
Texto <1080><26/03/2011>
