1264 – VENTO DO NASCENTE
– Por J. J. Benitez –
Como uma faca rente ao chão.
Assim passou por mim o vento da SABEDORIA.
E interroguei-o sobre a aflição.
– Não há maior aflição no Cosmo – silvou – do que não haver estado aflito nunca.
E as procissões de adagas seguiram acutilando o poente.
– Mas, dize-me, onde posso encontrar a VERDADE?
E antes que o vento do nascente pudesse responder, interroguei-o outra vez:
– Talvez no fim do caminho!
As facas se transformaram em serpentes sem cabeça que, entrando na poeira do meu caminho, sentenciaram:
– A VERDADE é exatamente o caminho.
– Dize-me, o que é a impaciência?
– Veneno para o espírito.
Enroscado em si mesmo, o vento do nascente continuou levantando a poeira dos bosques.
– E a cólera?
E o vento, distraidamente, sussurrou em meus ouvidos:
– A cólera é uma pedra lançada num vespeiro.
– Em ti, ó vento da SABEDORIA, está o poder de envelhecer os que buscam a VERDADE. Como poderei encontrá-la antes de ficar velho?
E as facas rente ao chão se afastaram e foram cravar-se no Sol, gravando em meu coração uma última resposta:
– A VERDADE não se encontra, sente-se… sente-se… sente-se…
(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – do jornalista, pesquisador e escritor espanhol J. J. Benítez – Editora Mercuryo).
Texto <1264><19/06/2013>
