323 – A VERDADE
– Não – argumentaram os políticos -. A Verdade está nos serviço prestados.
– Vai às catedrais – aconselharam os padres.
– Sem dúvida, a Verdade é a Sabedoria – asseveraram por sua vez os sábios.
– Renuncia a tudo – ordenaram os ascetas.
– Contempla e enaltece as maravilhas do Senhor – exortaram os místicos.
– Acata e cumpre as leis – recomendaram os governantes.
– Conhece-te a ti mesmo – cantaram os guardiões do esoterismo.
– A Verdade está nos números sagrados – deduziram os cabalistas.
– Vive os prazeres – aconselharam-me os epicuristas.
– Junta-te a nós – clamaram os revolucionários.
– Vive e deixa viver – gritaram os existencialistas.
– A Verdade é um mito – sustentaram os céticos.
– A Verdade é o passado – lamentaram-se os nostálgicos.
Derrotado e confuso, senti-me abatido, enquanto aquela multidão interminável se afastava, clamando e reivindicando “sua” verdade.
Perdido em meio a inúmeras reflexões, não me dei conta da chegada de um ancião que trazia nas mãos um diamante resplandecente.
– Quem és tu? – perguntei-lhe.
E o ancião, estendendo as mãos, respondeu-me:
– Sou o guardião da Verdade.
– Da Verdade? Mas ela existe?
Sorrindo, o ancião aproximou o diamante do meu rosto e afirmou:
– A Verdade é como este tesouro, que tem mil facetas. E cada um deve averiguar aquilo que lhe toca.
– J. J. Benitez –
(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – Editora Mercuryo)
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Texto <323><19/02/2002>
