533 – LÚCIFER
Ao chegar no deserto, deparei com um eremita consumido pela fome e a sede.
– Conheces Lúcifer?
O eremita, assustado, exclamou:
– O Maligno tem forma de fonte. Suas águas são desejáveis, mas cuidado, peregrino, são somente uma miragem venenosíssima.
– Conheceis Lúcifer?
E as sacerdotisas, muito espantadas, bradaram:
– O Maligno tem a forma de um bode e nos possui todas as noites.
Ao interrogar os doutores da Igreja, me responderam, persignando-se:
– O Maligno é uma hidra de sete cabeças que devora os que se afastam de nossa santíssima proteção.
Fiz a mesma pergunta entre os negros que, espantados, responderam:
– Sem dúvida, o Maligno é o homem branco…
Mais adiante, encontrei um sábio.
– Conheces Lúcifer?
– O Maligno – exclamou com espanto o ancião – é um monstro de língua partida. Leva consigo a contradição.
Ao entardecer, já a ponto de abandonar tão inútil empreendimento, dei com um jovem de grande beleza.
– Conheces Lúcifer? – interroguei-o com desânimo.
– Sim, sou eu mesmo.
Desconcertado, não soube o que responder-lhe. E Lúcifer, percebendo minha confusão, advertiu-me:
– Por que te assombras? Só consultaste meus inimigos!
(Texto extraído do livro “A Outra Margem” – J.J. Benítez – Editora Mercuryo.)
Lúcifer (do Hebraico): “Estrela da Manhã”; “O Portador da Luz”.
