CEM MANEIRAS DE LIQUIDAR UMA PROJETORA
Não… não está bom. Já comecei errado… É para ser uma história passada em tempos antigos, que fale de projeção astral – não de visões… E esse negócio de ereção violenta pode escandalizar um pouco minhas leitoras… (segundo os parcos feedbacks que recebo de vez em quando, sou mais lido por elas do que pelos homens, e assim é preciso agradá-las um pouco…) Ok. Nada de druidas. Nem de varões. Vou enforcar uma feiticeira. Isto. Assim minhas leitoras se identificam com a bruxinha, e a coisa toda fica com mais appeal… Isso… E não vou enforcar, não. Já que é bruxa, vou queimá-la na fogueira.
E já que não tem druida na história, não precisa ser na Gália. Pode ser numa vila italiana medieval, à beira de um vulcão. Isso aí. Vamos queimar uma bela ´strega´ siciliana…
Andiamo, ragazza… Para il fuoco!
Mas já que tem o vulcão, para que perder tempo armando fogueira, etc. e tal? Vamos jogá-la direto no vulcão e acabar logo com a coisa…
Aquele fascinante e tremebundo inferno de lavas e labaredas, a jovem com as mãos amarradas às costas, caminhando sobre uma prancha que a levará à demoníaca fornalha que ruge e crepita no meio da imensa cratera…
Andar na prancha… feito um pirata… Bem, se é assim, é melhor então fazer a coisa num navio… num galeão espanhol… Isto… É só arranjar um nome bem comprido e aristocrático para a heroína – Maria de Carmen Acuña y Acevedo – esse soa bem…
De olhos vendados, Isabel de Echeverria y Andujar caminhava impávida pela prancha, em direção ao negrume das águas do Mar de Sargaços…
Camiñaba por la calle, arriba, abajo…. parece letra de tango…
Não. Nada de espanholas milongueiras. E pensando bem, não é preciso buscar recursos no passado, quando temos fontes de violência muito melhores, aqui no presente mesmo.
Podemos jogá-la nos trilhos do metrô, evocar uma bala perdida… E ela pode simplesmente se chamar Ângela, Marisa ou Carol, como todo mundo.
E para quê, mesmo?
Tá vendo? Agora nem sei mais por quê eu precisava matar a Ângela Marisa Carol, nesta história…
Será que não era melhor fazer a moça apenas se projetar numa doce viagem de sonho, encontrar sua outra metade (o Nando Bruno Henrique) e daí os dois acabariam sendo apresentados depois, no mundo físico, e se lembrariam daquele primeiro encontro astral e aí ficariam por um tempão olhando-se nos olhos, embevecidos, sabendo que sempre haviam sido um só?
Sim… e no encontro lembrariam também que já se conheciam de várias encarnações atrás, desde quando ele era um druida celta sempre rijo, e ela uma princesa hispano-italiana – boa moça, mas meio dada a pequenas feitiçarias…
– Bene –
